Addis Abeba: a capital da Etiópia não é o que você imagina

Tudo começou quando estávamos planejando o nosso roteiro do Sudeste da Ásia, pois sempre gostamos de imprimir um calendário com as datas da viagem e começar a planejar, de acordo com datas de voos, preços e disponibilidade. É um quebra-cabeça que se encaixa em algum momento.

Foi assim que percebemos que os voos da Ethiopian Airlines que partiam de São Paulo com destino a Addis Abeba (ou Addis Ababa), na Etiópia, e depois um segundo voo de lá até Bangkok estavam muito mais baratos que em outras companhias. Como não existe disponível no mercado um voo que seja direto Guarulhos-Bangkok, você vai ter que optar por alguma conexão, podendo ser Europa (a mais comum), Oriente Médio ou África. E foi aí que vimos a oportunidade de pisar em solo africano pela primeira vez em nossas vidas.

Não pensamos duas vezes e compramos o voo pela Ethiopian Airlines fazendo a troca no aeroporto internacional de Addis Abeba. O aeroporto tem uma estrutura muito simples, parecida com os nossos aeroportos menores (não que ele seja pequeno, só é mais simples). Optamos por fazer a compra das passagens tendo a volta com uma noite de estadia pela Etiópia, já que os voos para São Paulo não são com frequência diária.

Nos informamos com a companhia aérea sobre vistos (custa USD 50, que economizamos graças à escala do voo) e hotel na cidade e, para nossa surpresa, eles disseram que cuidariam do visto e da estadia, já que não tínhamos a opção de retorno ao Brasil naquela data. Bom, né?

O hotel era simples, mas honesto. O problema eram os funcionários que eram barulhentos, ligavam pro nosso quarto fora do horário combinado para nos acordar. Fomos também abordados por um outro funcionário, dentro do nosso quarto, oferecendo passeio pela cidade. Enfim, nestas questões, foi uma loucura!

Dica de prata: sempre que vamos conhecer um novo país, ou seja uma nova cultura, temos que nos informar sobre seus costumes locais para não ser um turista-mané. Na Etiópia é crime a homossexualidade, podendo levar a pena de morte. Sim, é triste e é um atraso de vida como outras questões por lá. Por conta disto, pedimos duas camas de solteiro no quarto. Não íamos arriscar estragar nossa viagem tendo que dar satisfações às autoridades locais (ou coisa pior). Nesta página você poderá encontrar um mapa feito pela ONG ilga mostrando as leis sobre orientação sexual pelo mundo.

O brasileiro (e talvez o resto do mundo também) tem a tendência de pensar na Etiópia como sendo um lugar árido e cheio de crianças magrinhas passando fome. Mas não é assim! Este estigma ficou marcado devido à grande seca ocorrida nos anos 80 e saiu do controle do governo, sendo muito difundida na mídia internacional. Atualmente, Addis Abeba encontra-se em constante desenvolvimento, com muitas obras em curso e recebendo investimento de países estrangeiros.

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Desde o Brasil, já estávamos conversando com um guia e combinando um dia inteiro pela cidade, para conhecer o máximo de lugares que pudéssemos no tempo que tínhamos disponível. Foi nossa melhor escolha, Ermias Ketema e todo o pessoal do Stunning Ethiopia Tour and Travel foram incríveis e nos sentimos totalmente em casa. Conclusão: amamos nossa experiência e pretendemos voltar à Etiópia em breve para explorar o sul do país (na companhia destes caras, lógico!).

O que conhecer em Addis Abeba

Catedral da Santíssima Trindade

Começamos nosso dia visitando a catedral da cidade. Por se tratar do dia de Natal, estava acontecendo um ritual curioso dentro, onde os padres entoavam cantos que lembravam um mantra. Eles ficam toda a semana que antecede o Natal, durante todo o dia, imersos neste ritual.

Curiosidade sobre o feriado: passamos o dia 07 de janeiro de 2017 em Addis Abeba e adivinhem!?!? Ao chegarmos lá descobrimos que era feriado de Natal. Isto mesmo que você leu! O calendário juliano (የኢትዮጵያ ዘመን አቆጣጠር) utilizado na Etiópia é diferente do nosso e estávamos no ano de 2009. Por conta disto, alguns locais encontravam-se fechados e era possível ver grande movimentação pela rua, pessoas passando com galinhas e cabras, pois é tradição comê-los no dia de natal (assim como a nossa é peru e chester).

A religião praticada é o Cristianismo Ortodoxo Tewahedo, sendo esta a maior vertente do cristianismo ortodoxo do oriente, envolvendo aproximadamente 50 milhões de fiéis.

Esta catedral foi construída em comemoração à libertação da Etiópia da invasão italiana. Este foi um dos aprendizados que tivemos por lá, pois nunca havia escutado sobre isto nas aulas de história. E dá pra perceber nos relatos deles o orgulho que sentem por não terem sido colonizados por ninguém.

Museu Nacional da Etiópia

Este foi o primeiro do dia. O Museu Nacional (The National Museum of Ethiopia) que fica próximo à Universidade de Addis Abeba. No museu estão expostos trabalhos de artistas locais, peças da antiga realeza e artigos arqueológicos, o mais famosos deles é o fóssil hominídeo mais completo: a Lucy. Uma curiosidade, o nome dela foi uma homenagem à música “Lucy in the Sky with Diamonds” dos Beatles.

Ficamos um pouco triste em ver que muitas peças estavam em condições precárias devido à pouca verba destinada ao lugar. Ainda assim, foi a melhor introdução que tivemos da história de lá, nos dando uma boa base de conhecimento pra explorar outros pontos da capital.

Museu Etnológico

Este museu (Ethnological Museum) fica anexo à Universidade. Por ter sido feriado, ele se encontrava fechado no dia em que fomos e não foi possível visitá-lo.

Monte Entoto

O Entoto é o ponto mais alto da capital da Etiópia (na verdade, está localizado no distrito vizinho de Oromia) e está a 3.200 metros de altitude em relação ao nível do mar. No topo dele está a Igreja de Santa Maria e a antiga morada do imperador Menelik II. Podemos ter uma vista panorâmica da cidade enquanto subimos monte acima.

Dica de Bronze: Leve um casaco porque faz muito frio lá em cima.

Igreja de Santa Maria

A igreja fica no topo do monte Entoto (nome em inglês: Maryam Church) e tem sua planta baixa em forma octogonal, o que a torna bem diferente de uma igreja tradicional.

Hoje ela abriga um pequeno museu com diversos objetos pessoais do imperador Menelik II e sua esposa.

Neste vídeo é possível escutar as orações entoadas nos autofalantes devido a um funeral que estava acontecendo.

Mercato

O Addis Mercato é uma grande área lotada de barraquinhas, lojinhas e pessoas onde e se vende de tudo. Este é o maior mercado ao ar livre de toda a África e emprega aproximadamente 13 mil pessoas. Uma versão etíope da “25 de Março” que temos em São Paulo.

“Red Terror” Martyrs’ Memorial Museum

Queríamos muito visitar este museu, mas infelizmente, por conta do feriado de Natal que nos pegou de surpresa, também se encontrava fechado.

Ele foi inaugurado no ano de 2010 em memória às vítimas do “Terror Vermelho”, que foi uma campanha política violenta contra os grupos marxistas-leninistas concorrentes na Etiópia e na Eritreia que aconteceu depois que Mengistu Haile Mariam obteve o controle do Derg, a junta militar. Estima-se que foram assassinados em torno de meio milhão de pessoas ou mais.

Museu Addis Abeba

O museu de Addis Abeba está alojado em uma antiga residência real. Dentro dele tem uma coleção de roupa cerimonial e oficial antiga, documentos, fotos e artefatos. As pinturas do imperador Menelik II e sua esposa, a Imperatriz Taitu, ficam localizadas logo no início do percurso.

Também ocorre frequentemente exposições temporárias de artistas locais contemporâneos.

Onde comer em Addis Abeba

Restaurante Lucy

No pátio do Museu Nacional fica um simpático restaurante chamado Lucy. O ambiente é agradabilíssimo, assim como o atendimento. A comida gostosa e com preço honesto.

Dica de ouro: Troque um pouco de dinheiro pela moeda local, já no aeroporto. Poucos locais aceitam cartões e mesmo os que aceitam, dificultam muito o pagamento, ou o sinal de internet é ruim e não aprova. Tentamos sacar dinheiro em um caixa eletrônico e também não tivemos sucesso. Previna-se e leve uma graninha extra in cash.

Yod Abyssinia Cultural Restaurant

Encerramos o nosso dia e a nossa visita a Addis Abeba neste restaurante junto com nosso dois novos amigos da Stunning Ethiopia Tour and Travel no restaurante Yod Abyssinia. Diferentemente do que acontece em outros lugares mais turísticos do mundo, este aqui não era só um lugar para turistas, mas um lugar onde turistas e locais se encontravam e se divertiam juntos.

Aqui acontecem shows de danças e músicas típicas das diversas etnias etíopes e eritreia e servem as comidas típicas do país.

Nós, que adoramos experimentar os pratos típicos dos lugares que visitamos, pedimos a injera com wat. A injera é uma espécie de pão (como se fosse uma panqueca esponjosa) feito à base de farinha de um grão chamado teff. A farinha é fermentada em água durante 2 ou 3 dias e então a injera é assada sobre uma chapa de ferro ou uma placa de barro sobre o fogo.

Sobre a injera são servidos diversos wat, que são guisados de carnes ou vegetais com diversos tipos de temperos.

 

Come-se com as mãos. O prato é enorme e feito para dividir entre todos que estão na mesa. Como demonstração de carinho e amizade, primeiramente você serve um pedaço na boca do seu amigo/a para então começar a comer.

Para beber pedimos o tradicional Tej, que é um vinho de mel bastante forte e também adocicado. Bom pra ficar bêbado sem sentir… hahaha. O Tej é aromatizado com folhas em pó e galhos de gesho, um agente amargo que é uma espécie de espinheiro.

Finalizamos nosso jantar com a tradicional cerimônia do café da Etiópia. Geralmente, o café é servido por uma mulher (o que é considerado uma honra para os visitantes) que traz junto uma vasilha de pipoca como acompanhamento e um pratinho com incenso que completa o ritual.

Nossa experiência pela Etiópia foi breve, mas foi intensa. Gostamos tanto que já colocamos em nossas viagens futuras o desejo de voltarmos ao país para visitar as tribos indígenas do sul.

 

Mapa com os locais citados neste post

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